Dias de Blumer 

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      Foi um período de poucos anos, mas que mudou a vida de muita gente. Gente que veio de muitos lugares, convergindo para o Rio de Janeiro, num momento em que o Rock-BR começava a produzir seus primeiros sucessos e lançar seus primeiros discos. Uma legião de fãs se reunia em torno do Circo Voador, do Canecão, do Morro da Urca, da Mamute, e ouvia a Rádio Fluminense FM, a “Maldita”.
        Entre esses roqueiros, de todos os estilos e com todas as influências, muitos vinham do Nordeste e traziam nos dedos e na voz um jeito meio repentista de fazer rock ou um estilo maracatuzeiro de fazer MPB.

         Mônica Blumer é uma carioca dessa época, que virou roqueira por identificação e nordestina por assimilação. Tornou-se uma das figuras mais queridas num grupo heterogêneo de amigos que incluía, entre muitos outros, músicos como Ivan Santos, Lenine, Alex Madureira, Tadeu Mathias, Fuba, Lula Queiroga, Pedro Osmar, Jarbas Mariz, Firmino, escritores como eu próprio e Julio Ludemir , artistas gráficos como Romero Cavalcanti e fotógrafos como Hélio Viana, Gustavo Moura e Roberto Guedes.

Release por Braulio Tavares 


         Os anos passaram, esses amigos se espalharam pelo mundo, mas a arte que continuaram a produzir tornou-se cada vez mais visível e mais reconhecida no Brasil e fora dele.

 

         O encontro de Mônica com Edu A., da banda Filhos de Platão, fez renascer a alegria musical daquele tempo. O CD Dias de Blumer é o resultado deste encontro e dos numerosos reencontros que ele produziu, num mutirão de pessoas criativas compondo, escrevendo, tocando, cantando, criando este CD que documenta uma história de amor entre duas pessoas e uma história de amizade entre dezenas.


       São canções que celebram o amor, a sedução, a conquista, o desfrutar de uma vida a dois cujo espírito se reflete em imagens recorrentes nas músicas: o sol, o vento, o mar, o ar livre, o céu e as estrelas, como em “Junto com você” e na “Toada  do Mar”, última faixa do disco, e uma espécie de síntese de suas intenções. A dor de cotovelo brincalhona ao som de um forró em “Corno é assim mesmo”.  O jeito de lidar com o lado imprevisível e inseguro das relações e dos sentimentos, em “Mosaico”, “Ananda” e “Sinais”, enquanto canções como “Imenso” e “Anestesia” tentam examinar o modo como brotam as emoções e como se envolvem as pessoas.


          Em meio a tudo isto vem a irreverência amorosa e o realismo de “Mulher Imperfeita”, e o recado de afeto em “Os meninos”, canção que é o melhor retrato das coisas boas que aquela onda de amizade deixou em todos nós.

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